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O que é reputação logística e como ela determina quais empresas irão liderar

 

Publicado em 24/06/2022

Satisfação total do cliente é a palavra de ordem e, do outro lado, performance e eficiência operacional são regras vitais para não matar as margens e sobreviver em um cenário ultracompetitivo
 

O novo aumento do diesel deu o que falar, causando grande alvoroço pelo país. Nem preciso dizer como os caminhoneiros receberam essa notícia, não é?!

E não é para menos: absorver novo aumento de 14,24%, enquanto o último foi só há 39 dias? É... o Brasil não é para amadores mesmo!

Embarcadores e transportadoras mal acabaram de discutir os últimos repasses (ou não) na conta frete, fizeram bidding, discutiram tudo que podiam na eterna "briga" de custeio e já terão novas provocações para os próximos meses. Os temores são de recessão global, o que provavelmente corroborará para queda dos commodities e acabará com o poder de compra do brasileiro – que, cá pra nós, já não está lá essas coisas!

Investimentos para o segundo semestre? Serão escassos. Com a taxa Selic acima de 13%, investimentos tendem a ser adiados por motivos óbvios: investidores escondem a mão preferindo lucrar com essa linda taxa de juros sem risco algum.

Aparentemente, o segundo semestre promete ser extremante desafiador para o país e para gestores das empresas que, mais do que nunca, terão que vender bem, entregar com maestria e garantir melhor eficiência e produtividade operacional.

A REPUTAÇÃO LOGÍSTICA É MARKETING QUE POTENCIALIZA AS VENDAS

Estamos vivendo a era da conveniência. Acabei de escrever um mega artigo para a MundoLogística sobre a evolução tecnológica das torres de controle e a importância de uma nova economia pautada totalmente na jornada e experiência do cliente.

A revista estará nas bancas no mês de julho, entretanto, permita-me dar um pequeno spoiler por aqui: nessa nova economia, não se fala mais em físico e digital – é figital. Não é mais customer service – é customer experience. Não é mais intermodalidade – é multimodalidade. Multichannel é coisa do passado – o presente é omnichannel. Central de monitoramento é produto da era das cavernas – Torres de Controle e Gestão 4.0 são as novas joias da coroa.

Satisfação total do cliente é a palavra de ordem e, do outro lado, performance e eficiência operacional são regras vitais para não matar as margens e sobreviver em um cenário ultracompetitivo.

O consumidor – cada vez mais digital – mais que comprar online, utiliza a internet para se informar, pesquisar produtos e serviços, comparar preços, relacionamento das marcas e especialmente reputação logística de cada empresa – motivo campeão para abandono do carrinho no online e escolha de outra marca no físico.

TRÊS COISAS QUE VOCÊ DEVE FICAR DE OLHO A PARTIR DE ONTEM

Um bom gestor de negócio terá que estar bastante antenado com aquilo que realmente acontece no dia a dia da sua empresa. Surpresas poderão custar um preço muito alto.

O gestor da nova economia deverá estar ligado nas pendências, mas sem nunca esquecer das tendências.

Explico: tenho visto gestores atarefados, afundados, mergulhados nas burocracias e problemas operacionais comuns da rotina das empresas, e, por isso, cegos quanto às tendências.

O mundo é "figital", contudo, nas empresas desses gestores existe pouca integração entre tecnologia, dados, processos e pessoas.

É... eu sei que mexi em uma ferida aberta que dói. Ninguém gosta de ter sua dor exposta para o mundo. Mas, se serve de consolo, você não está sozinho: 86% das empresas estão nessa mesma condição.

Contudo, você chegou até aqui e, se tudo correr bem e você se atentar para os três pontos que vou sinalizar, a tendência é que você e sua empresa entrem para os 14% mais organizados.

  1. PREOCUPE-SE MAIS COM PESSOAS DO QUE COM A TECNOLOGIA

Calma. Respira fundo. Eu sei que falei da nova economia e como ela vem impactando nossa maneira de consumir, se relacionar e fazer negócio.

Tecnologia é importante e continuará sendo. Contudo, mais importante que a tecnologia são as pessoas responsáveis por se relacionar com clientes internos e externos. Gente, pessoas, seres humanos... são o grande tesouro de seu negócio.

Trabalhe a cultura, defina a estratégia, envolva as pessoas e você resolverá 70% dos problemas. Pode acreditar. Os outros 30% ficam com sob “responsabilidade” da tecnologia, que tem o dever de potencializar a experiência das pessoas – de todas as pessoas, internas e externas.

Percebeu a importância das pessoas? Tem tudo a ver com elas!

  1. DADOS, MÉTRICAS E KPIs DEPENDEM MAIS DE PROCESSOS DO QUE DE TECNOLOGIA

O desafio de 95% das empresas não está exatamente na transformação digital, mas no entendimento do que isso significa.

Tudo virou nuvem. Tudo virou licença do usuário. Todo mundo vive conectado. Os robôs, algoritmos e aplicativos regidos pela inteligência artificial estão na vida de todo mundo. No entanto, quando chego na maioria das empresas, me deparo com uma “bagunça processual” que me obriga a perguntar: como é possível que essa empresa consiga entregar seu produto final?

Basta um pouco mais de conversa e uma análise superficial e logo se vê que a tecnologia existe. Está lá, às vezes até em excesso, porém desconectada, separada, excluída e desacreditada.

Discutir tecnologias é uma delícia. Eu também gosto. Mas e o lastro processual? Quantos contratos “malfeitos” ou “mal amarrados” há por aí? Quantas torneiras de desperdício estão abertas?

Pare de adquirir mais um sistema, mais um app, mais uma promessa milagrosa de prateleira. Você não força processos ou convence pessoas a vestirem uma tecnologia. Tem que ser o contrário: aculture pessoas, padronize seus processos e só então busque a tecnologia ideal para vesti-los.

Notou que falei de tecnologia ideal e não da Nasa, não é?!

  1. SEJA TARADO POR ESSE TRIPÉ

Em toda palestra ou treinamento que dou, sempre faço três perguntas que aparentemente são simples, mas todo mundo trava quando tenta responder:

  1. O que é logística?
  2. O que é melhoria contínua?
  3. Quem é nosso cliente?

As pessoas travam porque peço para que expliquem de uma maneira que até uma criança entenderia.

Aliás, se você não souber explicar para uma criança, é porque você não domina muita a parada – fica o alerta.

As explicações vão ao extremo da complexidade. Por fim, digo o que todo mundo no fundo sabe:

  1. Logística é: um olhar para tempos, movimentos e eficiências.
  2. Melhoria contínua é: hoje fazer um pouco melhor que ontem e amanhã um pouco melhor que hoje.
  3. Nosso cliente são: todos aqueles que estão a minha frente e são impactados direto ou indiretamente pelo que faço?

Preste atenção nesse tripé:

Se você estiver atento aos tempos, movimentos e eficiência, aplicando a filosofia e ferramentas da melhoria contínua e sempre buscando a satisfação do seu cliente, seja ele interno ou externo, você conseguirá vantagem competitiva.

Crises podemos até prever, mas não podemos controlar (nem todas pelo menos). Nessa nova era da conveniência, nosso papel é garantir a reputação logística do negócio: satisfação total do cliente e performance operacional, mantendo, assim, a saúde financeira do negócio.

Não se esqueça nunca que a logística ganhou papel de marketing reputacional:

O consumidor, cada vez mais digital, mais que comprar online, utiliza a internet para se informar, pesquisar produtos e serviços, comparar preços, relacionamento das marcas e especialmente reputação logística de cada empresa!

Vai lá e encante seus clientes.

Até a próxima!

Achiles Rodrigues

Por Achiles Rodrigues

Nexialista com mais de 20 anos de experiência no mundo corporativo. Logístico de “pai, mãe e parteira”, já atuou nos mais diversos setores e segmentos como gestor de logística, transportes e melhoria contínua. Formado em administração, teologia e pós-graduado em logística e Supply Chain, está atualmente como head de Marketing de vendas e projetos na Moby Consulting, consultoria especializada em implementação e operação de Torre de Controle Logístico. É também colunista da revista MundoLogística e fundador dos blogs clubedalogistica.com.br e achilesrodrigues.com.br.

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