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Navegação autônoma ganha força após impacto da pandemia

 

Publicado em 30/05/2022

Sediada em Antwerp, na Bélgica, Seafar desenvolveu software que consiste na operação de transporte aquaviário com tripulantes operando de forma remota

Por Christian Presa


Foto: Christian Presa

Dentre as aplicabilidades da tecnologia nos processos logísticos, o uso de veículos autônomos é uma possibilidade que está no horizonte dos gestores. No Brasil, o uso desses automóveis no transporte rodoviário de cargas é atrelado à distribuição de sinal 5G no território nacional. No entanto, a automação é algo que pode – e irá – ultrapassar os limites do transporte rodoviário, uma vez que esta é também uma possibilidade aplicável a navios e demais embarcações.

Mundo afora, já existem iniciativas que visam desfrutar dos recursos que a tecnologia pode oferecer. Uma delas é a Seafar, empresa sediada em Antwerp (Bélgica) dedicada à navegação remota ou com tripulação reduzida. Essa estratégia consiste em controlar o translado das embarcações por meio de um software computadorizado, composto por câmeras e sensores de movimento.

Fundada em 2018, a Seafar atua na região de Flanders – que abriga os portos de Antwerp-Bruges e North Sea – e começou a oferecer o sistema de forma comercial em 2020. Atualmente, os navios e embarcações de contêineres são os veículos mais apropriados para esse tipo de solução, mas a companhia ressalta que o sistema é adaptável para qualquer tipo de carga.

Segundo o COO da companhia, Janis Bargesten, a tecnologia da empresa foi desenvolvida para contemplar diferentes níveis de autonomia. “A nossa estratégia é, por meio de automação condicional, ter menos tripulação nos navios e mais pessoas no controle remoto.”

Porém, o executivo destaca o conceito de “humano através da máquina”. “[Isso quer dizer que] é sempre um humano responsável pelas decisões durante a operação”, explica.

Para garantir a segurança e o sucesso dos transportes, a Seafar escala quatro profissionais para acompanharem um único translado por meio do software. A equipe é encabeçada por um comandante de bordo, que recebe treinamento para unir o ­­know-how de navegação ao funcionamento do sistema.

CONTEXTO E PERSPECTIVAS

A automação já é uma pauta presente nesse segmento há alguns anos. Porém, Janis Bargesten explica que a navegação remota se tornou uma realidade mais próxima por causa do impacto da pandemia de Covid-19. “Tivemos uma necessidade prática de dispor desse tipo de serviço.”

Atualmente, o modelo mais presente entre os clientes da Seafar é de semi-automação – em que cerca de 80% da operação é feita de forma remota. De acordo com o COO da companhia, a expectativa é a automação completa seja uma realidade em um período entre 10 e 15 anos.

 

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