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Eduardo Leonel assume cargo de CEO da Mundial Logistics e anuncia novo CD da companhia em Guarulhos 

 

Publicado em 26/06/2024

Em entrevista exclusiva à MundoLogística, o executivo ressaltou foco em healthcare, ESG e transformação digital  

Por Camila Lucio 

Eduardo Leonel assume cargo de CEO da Mundial Logistics e anuncia novo CD da companhia em Guarulhos 
Eduardo Leonel novo CEO da Mundial Logistics (Foto: Divulgação)

Com 25 anos de experiência na área empresarial e em estratégias de Supply Chain, Eduardo Leonel foi anunciado como novo CEO da Mundial Logistics Group — Fernando Passos, o fundador da empresa, passa a fazer parte do conselho de administração da companhia. A mudança faz parte de uma estratégia de profissionalização da gestão e aprimoramento da governança corporativa, visando consolidar a empresa como um dos principais operadores logísticos do Brasil. 

Entre os principais desafios de Leonel está a necessidade de melhorar ainda mais os resultados da empresa, especialmente no segmento de Healthcare, que apresenta um grande potencial de mercado ainda a ser explorado. O CEO também terá um papel fundamental em expandir as ações em ESG e reforçar o posicionamento da empresa nessas áreas, além planejar transformar a Mundial Logistics em uma empresa orientada por dados. 

Em entrevista exclusiva à MundoLogística, o executivo revelou os principais investimentos que a empresa está fazendo para manter sua competitividade no mercado — entre eles, a inauguração de um novo centro de distribuição com uma área de 40 mil m² e classificação triple A. O CD faz parte do investimento do grupo em um complexo logístico de 147 mil m² de área construída de armazéns, localizado próximo ao Aeroporto de Guarulhos (GRU). 

O novo CD inclui espaços projetados para atender às necessidades do setor de saúde, trade marketing, entre outros mercados, oferecendo 50 mil posições para paletes e ampliando em 60% a capacidade atual das operações.  

“Queremos, efetivamente, construir uma liderança e uma marca muito forte na questão de ser uma empresa que suportará o negócio dos clientes. Não somos uma atividade fim, e sim meio, e como meio, nós seremos certamente uma das melhores opções do mercado”, afirmou Leonel. 

Leia na íntegra! 


MUNDOLOGÍSTICA: Com uma carreira na liderança de iniciativas estratégicas em Supply Chain, como o você encara esse novo momento na companhia e na sua carreira? 

EDUARDO LEONEL: Minha carreira teve essas duas vertentes. Uma trajetória como empreendedor, constituindo algumas empresas, duas pelo menos ao longo da história, e também como executivo em empresas nacionais e internacionais. São pelo menos 25 anos neste segmento de logística e Supply Chain. Agora, neste momento da minha carreira, me juntar a um grupo como a Mundial Logistics, é um momento interessante, porque tem várias coisas acontecendo no ponto de vista de tecnologias para Supply. Tem toda essa questão da digitalização, algo que sempre apostei muito ao longo dos anos no mundo da logística. Acredito em uma junção muito interessante. A empresa está em um momento especial, é líder no segmento promocional, logística para trade marketing, ponto de venda, material promocional e tem uma operação interessante com o laboratório Aché, para produtos acabados. Temos uma estrutura organizacional boa para crescer em um mercado que é muito grande. Pelo estudo da ABOL, o mercado brasileiro de logística representa R$ 1 trilhão de serviços logísticos e tem R$ 160 bilhões na mão de operadores de logística, são 1 mil operadores, e R$ 850 bilhões — que nem está terceirizado ainda. Sendo assim, é mercado gigante e pronto para ser consolidado — esse é um fato. Existe muito espaço para quem presta bom serviço e a Mundial Logistics já tem essa característica. Então, estou entrando em uma estrutura que já é bacana, ligada para a visibilidade de informações, casando muito com as minhas crenças no segmento e valores. Esse é o momento em que encaro essa nova etapa como CEO. Estamos constituindo um conselho administrativo — no qual farei parte — na linha de ter as três letras do ESG e a Governança estará também muito forte dentro do que estamos pautando. Existe uma mudança em curso já para um novo CD Triple A, um prédio com energia verde e com grande de capacidade expansão. 

Quais são os principais investimentos que a empresa está fazendo para manter sua competitividade no mercado? 

Neste momento, tem bastante investimento na digitalização em curso, ou seja, do ponto de vista do que precisa ser feito para embarcar firme nessa torrente da IA, da digitalização dos processos e das informações. Vale mencionar que temos um grande investimento feito da ordem de R$ 30 milhões em um novo centro de distribuição. Isso porque dentro do grupo, temos uma divisão de real estate chamada Marka Prime, no qual a empresa se associou com a Cyrela e “colocou no ar” um novo centro logístico em Guarulhos, equidistante das rodovias Ayrton Senna e Presidente Dutra. Esse novo site tem 147 mil m² de área construída da área de armazéns. Na Mundial, estamos assumindo 40 mil m² deste novo site como um BTS, ou seja, por 10 anos vamos estar nessa nova instalação triple A, armazém, com docas automatizadas e com energia limpa. Além de uma nova sede também da empresa, que vamos fazer uma inauguração em breve. Desta forma, o novo armazém será a sede da empresa, mas também vamos ter à disposição 107 mil m² a mais no mesmo complexo, dentro do mesmo site. Então, esse é o movimento que estamos fazendo, que levará para um aumento de capacidade — dobrando a capacidade. Vamos sair de 25 mil posições pallets na base que nós estamos atualmente, para 50 mil — porém mantendo ainda 30 mil posições que operamos para o Healthcare. É uma mudança de patamar importante, 80 mil posições paletes somente em Guarulhos, sem contar com as nossas bases espalhadas pelo Brasil, existe também investimentos em empilhadeiras de lítio e as melhores práticas, do ponto de vista de sustentabilidade e de eficiência operacional, além da automação… Então, tem também todo esse investimento que já vem sendo feito. Mas eu trago essa aceleração, eu sou um entusiasta da boa tecnologia e estamos na borda desta virada da IA Generativa que entra firme para nos auxiliar. Nós estamos investindo em um novo data lake, em um CRM que vai tratar a jornada do cliente de ponta a ponta, desde os primeiros contatos até o custom experience, o pós-venda e tudo mais, atendimento, marketing e vendas. Esse CRM também elevará a relação ao tratamento de dados dos clientes. Além disso, temos duas novas unidades que estamos apostando, ou seja, tem a Mundial Promocional, tem a Mundial Healthcare, mas dentro desta lógica tem um produto interessante que a gente chama de MOne, que é uma oferta de serviços para o varejo, para o trade e marketing no ponto de venda. A ideia é que essa empresa também passe para o anda de cima em termos de digitalização. Buscar ser também uma empresa de marketing digital, não só um braço operacional, em uma grande linha, porque assim o nosso grande motor é que a gente faz as marcas venderem mais, fazemos as empresas venderem mais.  Na minha avaliação, é um conceito de muito longe, que enxergo que sou como agente de negócios, não sou um operador logístico, sou muito mais um meio para que meus clientes performem bem seus negócios do que apenas um gestor de paletes. E, ao fazer essa mudança de modelo mental e isso chegar na cabeça dos mais de 600 profissionais atualmente, que vão ser mais de 1 mil na nova sede, ganhamos um impulso quando as pessoas começam a perceber que elas não estão simplesmente movendo caixas, que elas estão ajudando os nossos clientes a fazerem bons negócios. 

A nova sede e o novo CD estão previstos para serem inaugurados neste ano?

Sim, nós já começamos a transferência de produtos e devemos estar plenamente operando a partir da segunda quinzena de agosto. 

Você citou o uso da Inteligência Artificial na operação. Na sua avaliação, não é possível mais pensar em logística sem pensar em IA? 

Não é possível. A IA é um conceito super antigo. Na verdade, o primeiro computador foi inventado em 1940 e já era Inteligência Artificial, o MIT lançou um laboratório de IA em 1959, chamava AI Lab MIT. O que está acontecendo agora é a generativa, é a IA que responde como uma pessoa que começa a aprender com as interações. Essa é a grande disruptura que está acontecendo — depois disto não tem mais como ser diferente. A gente já vinha em um embalo muito forte de Big Data & Analytics, gestão de dados, e costumava brincar: “se você tem que escolher entre entregar o pacote e entregar a informação, escolha entregar a informação, e com a informação você, como cliente, vai ficar um pouco mais sossegado ou vai explicar para o seu cliente também o que está acontecendo”. A informação já estava mandando muito mais do que o fluxo físico. E o fluxo físico você pode ter alternativas, ou seja, escolher qual modal, mas a qualidade da informação é o nome do jogo, já tem muito tempo isso na logística, só que as empresas ainda vêm investindo pouco em visibilidade e plataformas de dados. Mas essa regra de trabalhar os dados com muito mais cuidado tornou-se inevitável e essas inteligências artificiais generativas vão estar em todas as etapas da cadeia,  desde ajudar a ter insights sobre o negócio, até para você ter insights sobre novos produtos, novos serviços, e execução das operação. Para se ter uma ideia, pretendemos investir em uma plataforma de IA que vai ficar em cima do nosso WMS fazendo um digital twin e governando a operação, digamos assim, chamados de orchestrators, ou seja, que vão orquestrar a nossa operação e a complexidade, oferecendo caminhos e evitando falhas. 

Considerando que a agenda ESG é cada vez mais essencial para os operadores logísticos, como a Mundial Logistics tem incorporado nas operações? E, na sua avaliação, qual a importância dessa agenda para o futuro da logística? 

O ESG virou um “buzzword”, aquela palavra do barulho do momento, que todo mundo fala muito. Mas, o mais interessante é analisar a evolução do tema ao longo dos anos,. Nos anos 80, tinha o triple bottom line, depois teve a era da sustentabilidade, em que as empresas faziam sua publicação de resultados e a sustentabilidade sempre estava separada, apartada praticamente. Então, o que eu acho legal do ESG é que traz isso para dentro da cultura das empresas. O ESG vai estar na rotina. Por exemplo, quando falamos que vamos criar um conselho, estamos subindo a governança, trazendo outro olhar para a gestão da empresa. Quando abro uma área de compliance externa para denúncias de assédio moral, ou de qualquer outro tipo de assédio, estou investindo em compliance e em governança. Hoje inevitável que empresa pode conviver sem ter uma área em que as pessoas possam denunciar qualquer desconforto que estejam sentindo dentro de qualquer organização. Então, essa não é mais uma escolha; tem que estar na cultura. É um desafio, porque empresas com muitas pessoas e com características diferentes, culturas diferentes, demora um certo tempo para construir, mas queremos construir firmemente os  três pilares do ESG. Em relação à sustentabilidade, não tenho o que falar, estamos pagando preços altos pelo mundo todo com a questão de possíveis irresponsabilidades. E, dentro disso, entra toda a questão da Economia Circular, que também acredito muito. Inclusive, é algo que já estamos fazendo na Mundial Logistics, trazemos de volta embalagens retornáveis de temperatura controlada para alguns clientes nossos e revalidamos para de novo circular. Se você não tiver o ciclo do produto inteiro controlado, o mundo não terá recursos naturais para seguir com esse consumo que temos atualmente. Por isso, estamos indo muito firme nas três questões: social, ambiental e de governança. 

Para os próximos anos, o que o mercado pode esperar da Mundial Logistics e da sua atuação? 

Uma empresa para fazer diferença no mercado, do ponto de vista do nível de serviço oferecido, de fazer vender, de ajudar a vender, vai atuar fortemente na ponta, olhando para o cliente — que é um clichê, às vezes falar, “vou colocar meu foco no foco do cliente”. Então, vamos buscar um crescimento de fato sustentável, mas acelerado, em um mercado que é comprador. Queremos, efetivamente, construir uma liderança e uma marca muito forte na questão de ser uma empresa que suportará o negócio dos clientes. Não somo uma atividade fim, somos meio. Mas, como meio, nós seremos certamente uma das melhores opções do mercado e que isso, obviamente, reverbera em todos os aspectos de uma empresa para todos os seus stakeholders, acionistas, funcionários, sociedade, clientes, fornecedores. Estamos muito otimistas com essa nova fase, porque  como analogia estamos com uma prancha excelente, na praia certa e vem boa onda. 

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