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CEO da GoodStorage ressalta uso de self storage para fracionar CDs em áreas urbanas

 

Publicado em 22/01/2024

Em entrevista exclusiva para a MundoLogística, CEO da companhia falou dos benefícios dessa estratégia para PMEs — de e-commerce a varejo —, bem como potencial de logística verde dos self storages

Por Christian Presa

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Executivo também vê a IA como prioridade nesse mercado (Foto: Divulgação)

Em 2023, o e-commerce brasileiro registrou R$ 185,5 bilhões em vendas e, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o crescimento foi de mais de 10% em comparação ao ano anterior. Tal cenário reforça a proximidade de centros de distribuição em relação às cidades para potencializar as vendas, com foco em atender à crescente demanda do consumidor final.

Porém, não é tão simples assim. Conforme relatório elaborado pelo Programa de Logística Verde Brasil (PLVB), que apontou 16 desafios de logística urbana no Brasil, a criação de polos logísticos enfrenta obstáculos que vão desde custo e manutenção de infraestrutura à disponibilidade de espaços adequados.

Nesse contexto, o self storage desponta como uma estratégia para aplacar ao menos uma parte do problema. “[Com o self storage], o e-commerce consegue fracionar seus centros de distribuição pelos principais bairros da cidade, permitindo entregas mais rápidas com menos quilômetros rodados e, consequentemente, menos custos”, explicou o CEO da GoodStarage, Thiago Cordeiro.

Com exclusividade para a MundoLogística, o executivo destacou a contribuição do self storage para conceitos de cidades inteligentes e logística verde, falou dos planos de crescimento da GoodStorage e muito mais.

Leia na íntegra!


MUNDOLOGÍSTICA: A GoodStorage já está com quase 30 unidades de self storage em São Paulo, com destaque para uma expansão notável em 2023. O que você considera como ponto de virada para que a empresa crescesse dessa forma acelerada no último ano?

THIAGO CORDEIRO: O ponto principal para que 2023 tenha sido um ano de forte expansão das nossas unidades de self storage foi exatamente o nosso planejamento de 2022 sendo colocado em prática. Em meados de 2022, recebemos um aporte de US$ 75 milhões [R$ 369 milhões, em conversão direta] e tínhamos como principal meta o crescimento em 2023. Ao mesmo tempo, temos diversos fatores externos que colaboraram para o crescimento desse setor, como um todo, e que já era previsto pelo mercado. O primeiro deles é a diminuição na metragem dos lares em São Paulo. Segundo o Secovi-SP, entre 2016 e 2022, os apartamentos lançados na cidade ficaram 20 m² menores, aproximadamente. Isso reflete na demanda de espaços que funcionam como extensão do lar, que é uma das principais dores que o self storage resolve. Sem contar o crescimento considerável da modalidade de entrega expressa. Quando o e-commerce cresce — e demanda cada vez mais eficiência em entregas — e quando o consumidor passa a exigir, também, mais agilidade e menor preço, o self storage também passa a auxiliar nessa dor do mercado. [Com o self storage], o e-commerce consegue fracionar seus centros de distribuição pelos principais bairros da cidade, permitindo entregas mais rápidas com menos quilômetros rodados e, consequentemente, menos custos.

Hoje, existe algum segmento que é prioridade para a GoodStorage? Como vocês analisam essa questão de oportunidades de mercado?

A nossa prioridade é oferecer espaços inteligentes, oferecendo mais mobilidade e sustentabilidade para a população. Hoje, existem dois segmentos que se sobressaem em nossas unidades e que são prioritários para nós: os PMEs [pequenas e médias empresas], que utilizam os espaços para fracionar seus centros de distribuição pela capital, e pessoas físicas, que necessitam de mais espaços para guardarem objetos de valor. Outro segmento que a GoodStorage enxergou de oportunidade e que passou a apostar desde 2020 foi o de galpões logísticos. Temos, além dos self storages, unidades de parks empresariais, com galpões em metragens maiores, ideais para que empresas de grande operação tenham um centro de distribuição dentro da cidade.

O impacto do e-commerce é inegável, mas existe alguma aderência do varejo tradicional ao self storage (ou alguma projeção de que isso aconteça)?

Sim, o varejo tradicional também já está aderindo ao self storage. Até mesmo para empresas que não tenham e-commerce — muito embora, atualmente, por sobrevivência no mercado, a maioria tenha —, os espaços podem servir não apenas para uma operação logística, mas também podem funcionar para as áreas de manutenção, reposição de produtos, estocagem etc. Nós temos um perfil de uso bem extenso nas nossas unidades e que atendem o varejo tanto físico quando online.

Há uma discussão cada vez mais intensa a respeito de sustentabilidade e logística verde — especialmente nas cidades, onde há altos índices de poluição. Como a operação da GoodStorage tenta minimizar esse impacto?

O modelo de negócio de armazenamento inteligente atua diretamente com a mobilidade urbana. Quando eficiente e bem-planejado, impacta diretamente na qualidade de vida da população e reduz impactos ambientais, pois há um planejamento otimizado de tráfego de pessoas e mercadorias, além de abastecimento moderno. Por exemplo, quando empresas aproximam seus estoques da cidade e os fraciona por região, elas diminuem o tempo e o percurso de deslocamento para entregas, muitas vezes podendo ser feitas por veículos elétricos menores, sem a necessidade de grandes caminhões. Já as entregas, além de mais rápidas, com menores custos e mais eficientes, também geram menor impacto ambiental, com menos quilômetros rodados, menor emissão de gás carbônico etc. É o que o mercado chama de logística verde.

De que maneira o conceito de cidades inteligentes conversa com a estratégia de expansão da companhia?

Uma cidade inteligente nada mais é que uma cidade eficiente, conectada e sustentável. Ou seja, que engaja projetos que proporcionem um ambiente urbano que promova desenvolvimento humano de forma sustentável e, ainda assim, impulsionando a economia local. O conceito de self storage nasce já alinhado a essa proposta de tornar uma cidade mais inteligente, pois colabora com um adensamento urbano, proporcionando mais qualidade de vida para a população, tornando a mobilidade mais eficiente. A oferta de espaços flexíveis às pessoas físicas permite que elas possam adequar melhor suas opções de moradia, reduzindo desperdícios inclusive no tamanho necessário de suas casas e podendo usufruir melhor de seu tempo e seus recursos financeiros. Sem contar também sobre todo o processo de logística verde, já explicado na questão anterior.

Nesse sentido, qual é a tecnologia que você considera prioridade para o mercado de self storage?

A IA é, sem dúvida, a tecnologia do momento e que também se tornou prioridade para o nosso mercado. É possível destacar o processo de gerenciamento de receitas por meio de algoritmos desenvolvidos com base em IA. Eles têm a capacidade de otimizar os preços de forma automatizada, levando em consideração um grande conjunto de variáveis, como demanda, características do produto, localização e disponibilidade. Além disso, para um futuro não tão distante, a IA pode ser ainda mais explorada nesse mercado com foco em sistemas de vigilância avançados que sejam capazes, por exemplo, de identificar e alertar sobre atividades suspeitas de forma automática e com grande precisão. Sensores inteligentes que, ao mesmo tempo, monitoram e otimizam o consumo de energia, bem como detectam  a necessidade de manutenção ou substituição de equipamentos, garantindo a longevidade das instalações. Além da capacidade de otimizar espaços e o mix de produtos, assegurando que cada metro quadrado seja utilizado de maneira eficaz e rentável.

Quais são as perspectivas para esse mercado em 2024?

Temos uma perspectiva também de crescimento para 2024. Tanto para o mercado, quanto para a GoodStorage. O self storage vem crescendo em torno de 15% ao ano, e, exatamente por ser ainda um mercado relativamente novo no Brasil, enxergamos ainda muito potencial. A GoodStorage quer alcançar também a Grande São Paulo, neste ano.

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