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O desafio dos investimentos em logística para o agronegócio

 

Publicado em 17/05/2012

 

Custo de produção da soja no país é de 34% contra 19% nos EUA

Os ganhos de produtividade conquistados pelo agronegócio a partir de investimentos em inovação e tecnologia não são capazes de tornar o país mais competitivo que os Estados Unidos e a União Européia, em especial, porque tudo que se ganha “antes da porteira” se perde no percurso até a mesa do consumidor.

Especialistas apontam a falta de políticas públicas para transportes voltadas às grandes cadeias produtivas como o principal fator do aumento do custo de produção.

“Nós temos claramente vantagens competitivas na produção de soja, comparando Brasil e Estados Unidos, por exemplo, mas quando falamos em composição total, incluindo o custo de transporte no país, calcado em rodovias, a nossa vantagem cai. Assim, o custo da soja no Brasil é de 34%, e nos Estados Unidos, de 19%”, revela Andréa Leda Ramos de Oliveira, Pesquisadora Científica da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

A doutora em desenvolvimento econômico participou do 23º Fórum de Debates Brasilianas.org, organizado para discutir os desafios para a internacionalização do agronegócio, na última segunda feira (14), em São Paulo. Andréa explica que o peso da logística em relação ao PIB no Brasil é de 11,6% contra 8,7% nos Estados Unidos.

O problema do país está em favorecer como rota de transporte as rodovias, ao invés de aproveitar mais as hidrovias e ferrovias. A mudança de direcionamento para a construção das nossas malhas viárias ocorreu principalmente a partir dos anos 50, durante o governo de Juscelino Kubitschek, que cedeu a pressão da indústria automobilística, ampliando os investimentos em estradas de asfalto e cessando os investimentos nas estradas de ferro.

O resultado é que hoje acima de 60% da matriz de transporte do país é composta por rodovias, apenas 12% delas asfaltadas. A participação das ferrovias no transporte é de 22% e das hidrovias, de 12%.

 

 

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