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Diretor da Caramuru comenta joint venture com a 3Tentos para estrutura logística no Arco Norte

 

Publicado em 15/01/2024

Em entrevista exclusiva para a MundoLogística, Antônio Ballan destacou a sinergia entre as companhias, o valor de apostar na região Norte e a importância da logística para a Caramuru

Por Christian Presa

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Ballan dirige a área de logística na Caramuru desde 1979 (Foto: Divulgação)

Foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a joint venture entre a Caramuru, grupo especializado em processamento e industrialização de grãos, e a 3Tentos, processadora de soja e fabricante de biodiesel. A parceria contempla o desenvolvimento de uma estrutura logística no Arco Norte, com investimento de R$ 400 milhões.

A princípio, a estrutura terá um terminal de transbordo, em Miritituba (PA), para recepção e armazenagem de grãos e farelos, além de expedição para carregamento dos barcos no rio Tapajós.

De acordo com o diretor de Logística da Caramuru, Antônio Ballan, a parceria com a 3Tentos foi estratégica em função da sinergia que as empresas compartilham, bem como ganhos de volume e escala. “A 3Tentos foi muito estratégica para a Caramuru pelo perfil de agregar valor aos produtos que a empresa tem. É uma parceria de médio e longo prazo”, reforçou.

O executivo destacou também o valor de apostar na região Norte e a importância da logística para a Caramuru, que em 2022 teve receita líquida superior a R$ 8 bilhões.

Leia na íntegra!


MUNDOLOGÍSTICA: As companhias disseram que o que começou como uma relação cliente-fornecedor acabou se tornando uma joint venture de R$ 400 milhões. Como — e por quê — essa evolução aconteceu?

ANTÔNIO BALLAN: Antes disso, preciso contextualizar a logística da Caramuru. Trabalhamos com commodities e, hoje, a logística é o segundo maior custo do grupo, atrás apenas de matéria-prima. Então, a logística faz uma grande diferença para a companhia, tanto que os investimentos em nossos complexos industriais sempre têm a logística [como prioridade]. Por exemplo, nós temos três grandes complexos industriais em Goiás. Em Itumbiara, o complexo está voltado ao mercado interno, para consumo humano e animal. Na fábrica de Ipameri, o complexo industrial no leste de Goiás, nós temos esmagamento de soja [para produção de] biodiesel e estamos dentro da ferrovia da VLI. Então, foi uma fábrica construída com conceito de logística. Um dos pilares estratégicos da Caramuru é ter uma logística forte. Por meio da fábrica em Ipameri, nós podemos levar produtos para o nosso terminal no Porto e Santos, bem como para o Porto de Tubarão, no Espírito Santo. Já a fábrica de São Simão foi construída há 29 anos, às margens da hidrovia do rio Paranaíba, que liga à hidrovia Tietê-Paraná, e, em 2020, com a concessão da Norte-Sul à Rumo, a ferrovia passa também na porta da nossa fábrica. Então, nós temos complexo industrial na hidrovia e na ferrovia, onde criamos uma segunda parceria com a Rumo Logística para um terminal rodoferroviário. Essa fábrica de São Simão está ligada, também, à Pederneira (SP), em parceria com a MRS. Então, nós somos parceiros de três grandes concessionárias no Brasil. Além disso, temos um complexo bastante importante em Sorriso (MT), nos ligando à saída para o Norte, região na qual estamos trabalhando desde 2014, e temos um terminal rodo-hidroviário à Itaituba e saímos pelo Porto de Santana (AP). Essa contextualização mostra que a Caramuru é uma empresa de parcerias e de logística. Então, a parceria com a 3Tentos foi muito estratégica porque há muita sinergia. Nós já possuímos complexo industrial em Sorriso (MT), para a saída Norte, e a 3Tentos acabou de inaugurar uma unidade muito próxima em Vera (MT), entre Sorriso e Sinop (MT), com uma saída quase natural para o Norte. Então, unimos a necessidade da Caramuru de querer crescer mais, pois nós já temos investimentos na saída Norte, mas com a capacidade reduzida. Essa parceria irá agregar muito, pois, além da sinergia [das empresas], haverá volume e escala. Um projeto de logística envolve grandes investimentos e, nesse caso, estamos falando de um empreendimento de R$ 400 milhões — e que pode ser muito mais, a depender do apetite, do crescimento da safra e de uma série de coisas que poderão ser envolvidas. Nesse sentido, a 3Tentos foi muito estratégica para a Caramuru pelo perfil de agregar valor aos produtos que a empresa tem. É uma parceria de médio e longo prazo.

Há a perspectiva de desenvolver uma estrutura logística para atender o Arco Norte até 2028. Por que essa região?

Primeiramente, pela localização. O nosso mercado é a Europa, para farelo. Estamos [no Arco Norte] desde 2014 porque nós exportamos SPC, que é a proteína concentrada de soja. É um produto muito diferenciado, focado na alimentação de salmão na Noruega. Então, criamos essa logística específica para esse produto, visando, na época, atender a uma emergência. Agora, com a safra brasileira crescendo da forma que cresceu nos últimos quatro anos, a empresa viu-se na necessidade de expandir esse investimento e fez muito sentido crescer por meio de parcerias.

O que essa estrutura logística irá contemplar, em termos de operação?

Isso ainda não está totalmente definido, mas, a principio, essa estrutura vai ter um terminal de transbordo, em Miritituba (PA), com toda a estrutura para a recepção e armazenagem de grãos e farelos, além de expedição para carregamento dos barcos no rio Tapajós. Em Miritituba, investiremos em tombadores para recepção, armazenagem e expedição para o rio, para carregamento das barcaças. Ainda estamos em fase de definição de qual será o modelo de armazém, quais serão as capacidades e qual será o porto de saída.

No ano passado, a região amazônica teve uma questão muito séria com secas, que prejudicou, inclusive, o escoamento de produtos para outras regiões do Brasil. Pensando que as questões climáticas continuarão afetando as operações nos próximos anos, vocês têm algum projeto de multimodalidade considerando a região?

Falando especificamente do rio Tapajós com o rio Amazonas, o que aconteceu no ano passado foi algo muito pontual e, quando isso acontece, é por um período muito curto, algo em torno de dois a três meses. Houve uma diminuição no volume de carga das embarcações, mas a navegação não parou. É óbvio que pode haver um custo maior nesse momento, ou seja, em vez colocar 2 mil toneladas de carga em uma barcaça, será colocado 50% ou 60% disso. Então, a gente entende que isso é algo administrável.

Você acredita que as empresas — tanto embarcadores, quanto operadores logísticos — estão olhando para a região Norte do Brasil e com atenção e identificando o potencial que ela tem?

A região cresceu muito. Hoje, o Arco Norte já representa um volume considerável nas exportações brasileiras, algo que não se via há cinco ou seis anos. Então, as empresas realmente estão investindo na região, até porque a produção brasileira está crescendo bastante, por exemplo, no norte de Mato Grosso e regiões acima. Nós, Caramuru e 3Tentos, estamos focando muito nessa região, pois somos esmagadores e processadores e o maior consumo de farelo é na Europa. Quando você considera o Porto de Santana (AP) ou o Porto de Vila do Conde (PA) versus os portos do Sul com destino à Europa, eles estão cerca de 3 mil km mais próximos. Isso faz diferença na logística.

Existe perspectivas de que essa joint venture gere investimentos em outras regiões do Brasil?

A princípio, essa parceria está muito focada no Arco Norte. Quanto ao futuro, eu não sei. Estamos no Mato Grosso, às margens da BR-163. Então, o sentido, nesse momento, é o Arco Norte.

Você começou a entrevista falando sobre o perfil e o peso da logística na Caramuru. Pensando nisso, quais são os planos da Caramuru para 2024, considerando o restante do país e as outras parcerias que a companhia possui?

A nossa logística está bem organizada. A ideia é manter e fortalecer isso. Não há nenhum plano de curto prazo. O que há de imediato, agora, é o projeto no Arco Norte, além do projeto que já está em andamento de ampliação [da nossa estrutura] no Porto de Santos. Nosso objetivo é, então, focar continuidade do nosso projeto de logística de médio e longo prazo.

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