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Pesquisa CNT revela piora nas rodovias brasileiras; conheça os principais problemas

Publicado em 24/11/2023

Uma das preocupações da Campanha Estradas do Futuro, lançada pela MundoLogística, é reunir periodicamente dados e análises que reforcem a importância de um novo olhar e de um maior direcionamento de recursos públicos e privados para a preservação e renovação da malha viária 

Por Redação


Os problemas na pavimentação das rodovias compõem outro indicador que apresentou alta (Foto: Shutterstock)


A falta de infraestrutura nos modais de transporte se coloca como um dos desafios centrais para a cadeia logística brasileira e, consequentemente, para a competitividade das empresas do país.

Como agravante desse cenário, é válido frisar que, segundo análise do Banco Mundial, os investimentos em infraestrutura no Brasil caíram significativamente nos últimos 40 anos: na década de 80, por exemplo, o direcionamento de recursos públicos nesse campo era de aproximadamente 5% do PIB, caindo para 1,6% em 2020.

Também de acordo com o órgão, seria necessário que o país dobrasse esses investimentos até 2030 para que fosse possível alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Por sua vez, no eixo viário, um dos principais termômetros que atesta o contexto infraestrutural das estradas nacionais é medido pela Pesquisa CNT de Rodovias, cuja 25ª edição foi divulgada em novembro do ano passado e revelou uma piora significativa em diferentes aspectos da malha viária.

Para resumir esses obstáculos – e também seus impactos diretos para o ambiente de negócios e para o Estado Brasileiro –, confira cinco dos principais indicadores do levantamento da Confederação Nacional do Transporte.

PIORA NA QUALIDADE GERAL DAS RODOVIAS

O primeiro dado, de caráter mais amplo, diz respeito a uma piora geral da malha rodoviária pavimentada no país. De acordo com o estudo da CNT, 66% das rodovias brasileiras apresentam algum tipo de problema, sendo avaliadas como regulares, ruins ou péssimas pela Confederação. Em 2021, esse indicador era de 61,8%.

É importante observar também que, para o estudo, foram analisadas mais de 110 mil quilômetros de rodovia, ao passo que a Região Norte teve a pior avaliação nesse sentido, com 79,2% das rodovias sendo consideradas regulares, ruins ou péssimas – o Sudeste obteve a melhor classificação, no entanto, 55,7% também foram classificadas com os indicadores mais baixos de qualidade.

PROBLEMAS DE PAVIMENTAÇÃO

Os problemas na pavimentação das rodovias compõem outro indicador que apresentou alta (3,3%) de acordo com a CNT. Conforme o levantamento, mais de 61,3 mil quilômetros (55,5% das estradas analisadas) se encontram em estado regular, ruim ou péssimo.

Em relação aos problemas, a Confederação Nacional do Transporte apontou em reportagem questões que envolvem desde fissuras e afundamentos, até pontos de desgaste, escorregamento e buracos.

SINALIZAÇÃO E SEGURANÇA

Quando pensamos nos problemas de infraestrutura do modal viário que causam maiores impactos para a segurança dos motoristas, certamente, as deficiências de sinalização nas rodovias geram um impacto significativo que coloca, inclusive, a vida dos condutores em risco.

Para termos uma ideia desse cenário, a própria Confederação Nacional do Transporte já destacou que, em trechos de pavimentação considerada ótima – mas com sinalização ruim ou péssima – o número de mortes varia entre 15,1 e 18,9 para cada 100 acidentes (quando a sinalização é ótima, esse dado cai para 8,4 para cada 100 acidentes).

Nesse sentido, é preocupante notar que 60,7% (quase 67 mil quilômetros) das rodovias apresentaram problemas de sinalização em 2022, sendo avaliadas como regulares, ruins ou péssimas segundo a CNT.

CUSTO OPERACIONAL PARA AS EMPRESAS E PARA O PAÍS

O custo desses desafios, por sua vez, também foi quantificado pela CNT: para as empresas de transporte rodoviário de cargas, há uma projeção de gastos a mais na casa de 33,1% que não existiriam caso toda a malha viária do país fosse avaliada como ótima.

Mas o impacto também é direto nos cofres públicos: de acordo com a Confederação Nacional do Transporte, apenas para recuperar as rodovias brasileiras, seria necessário um investimento superior a R$ 72 bilhões.

CUSTO PARA O MEIO AMBIENTE

Finalmente, o peso da falta de qualidade das estradas do país traz consigo um complicador ambiental que atrasa, como vimos, o compromisso do país com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): segundo a CNT, há um aumento na produção de gases de efeito estufa a partir da necessidade de consumo adicional 1,1 bilhão de litros de óleo diesel (o equivalente a R$ 4,89 bilhões de custo a mais para as transportadoras).

Diante de tantos impactos – inclusive no âmbito da segurança dos condutores – uma das preocupações da Campanha Estradas do Futuro, lançada pela MundoLogística, é reunir periodicamente dados e análises que reforcem a importância de um novo olhar e de um maior direcionamento de recursos públicos e privados para a preservação e renovação da malha viária brasileira.

Com isso, além de uma potencial redução no número de acidentes, o Brasil pode se posicionar de modo mais competitivo – melhorando o ambiente logístico nacional – e agir, com proatividade, na preservação do meio ambiente para as próximas gerações.

ESTRADAS DO FUTURO

Enfrentar o desafio dos acidentes em estradas e rodovias do Brasil não é uma questão simples e, ao mesmo tempo, trata-se de uma demanda que pede urgência. De acordo com dados da CNT (Confederação Nacional de Trânsito), só em 2022, mais de 64 mil acidentes foram registrados no país — desses, 82,1% deixou vítimas, incluindo mortos e feridos. Em termos gerais, o Brasil ocupa a preocupante posição de 3º país com o maior número de mortes no trânsito, conforme relatório da OMS (Organização Mundial de Saúde). 

MundoLogística lançou a campanha “Estradas do Futuro”, uma iniciativa que conta com patrocínio da nstech e da Quartzolit, apoio da Onisys, da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) e da Associação Brasileira de Logística (Abralog). Por meio da campanha, o intuito é unir os diferentes atores da cadeia logística nacional, difundindo conteúdos educacionais que tragam tanto visibilidade para a pauta da segurança no transporte rodoviário, quanto práticas e divulgação de soluções que possam colaborar com a capacitação e proteção de motoristas.