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COP 30: Como a cabotagem pode ajudar o Brasil a ser um país mais sustentável 

Publicado em 17/06/2024

Um dos itens que afetam diretamente a emissão de gases do efeito estufa são os provenientes dos meios de transporte movidos a combustível fóssil 

Por Vinicius Alves *

COP 30: Como a Cabotagem pode ajudar o Brasil a ser um país mais sustentável 
Transporte Marítimo (Foto: Freepik)

Pela primeira vez na história o Brasil, foi o país escolhido para sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, também chamada de COP 30 a cidade sede será Belém, capital do estado do Pará que faz parte da Amazônia. O principal intuito da COP é reunir vários países e territórios, com o objetivo de discutir medidas que visam diminuir a emissão de gases do efeito estufa.  

Para isso, são realizados vários debates relativos às mudanças climáticas, buscam encontrar solução para os problemas ambientais que afetam o planeta e negociar acordos entre as nações. 

Um dos itens que afetam diretamente a emissão de gases do efeito estufa são os provenientes dos meios de transporte movidos a combustível fóssil. No Brasil, segundo os dados fornecidos pela Conferência Nacional dos Transportes (CNT), 64,86% de tudo que é transportado no Brasil, é feito pelo modal rodoviário, enquanto a cabotagem, representa apenas 10,47%, ocupando o 3º lugar, atrás do modal ferroviário com uma representatividade de 14,95%. 

Vários são os fatores que influenciam na emissão de dióxido de carbono pelos veículos, como tipo de combustível, eficiência do motor, carga transportada, condições das estradas, etc. Dessa forma, quando comparado ao rodoviário, a cabotagem que se trata do transporte de cargas, por via marítima ao longo da costa brasileira, se apresenta como uma solução bastante sustentável, pois: 

  • Quando contabilizado a emissão de carbono por tonelada transportada, a cabotagem é mais eficiente que o rodoviário, pois os Navios podem transportar grandes volumes de carga de uma só vez, reduzindo a necessidade de múltiplas viagens. 

  • Tem um menor consumo de combustível por tonelada de carga, especialmente em longas distâncias, emitindo drasticamente menos carbono que o rodoviário. 

Logo, para demostrar de forma mais lúdica, podemos notar os dados abaixo que simulam o trajeto de São Paulo x Belém pelo rodoviário. Comparado ao trajeto similar, feito via cabotagem entre os Portos de Santos x Vila do Conde, portos esses nos mesmos estados e próximos das capitais do trajeto feito pelo rodoviário. 

Portanto, nota-se que o comparativo final de emissão de CO2/tons transportado, é 80 vezes menor na cabotagem. Pois, a capacidade de carga do navio é muito maior que o rodoviário. Como referência para cálculo, levamos em consideração a capacidade de carga do navio Pedro Alvares Cabral, que faz parte da frota do Armador Aliança Navegação, empresa do grupo Maersk. 

Além dos pontos mencionados acima que atendem as questões ambientas da agenda ESG, a cabotagem também agrega o aspecto social com a conectividade entre regiões, e governança por ser uma logística integrada e mais eficiente. 

Atualmente, alguns armadores ofertam não apenas a logística de entre portos, mas oferecem uma logística integrada, entregando assim, o mesmo serviço que o rodoviário que é o de porta a porta, agregando ainda mais valor ao modal, devido à comodidade de não ser necessária a contratação de várias operações para uma única demanda. 

Contudo, devido à notoriedade mundial que o Brasil vai receber, proveniente a COP 30, e a espera que o mundo anseia por acordos positivos para o meio ambiente dos acordos gerados no evento. Certamente a cabotagem, se destaca positivamente como uma opção, para redução da emissão de CO2 e outros itens da agenda ESG.


* Vinicius Alves é Sales Executive na Aliança Navegação

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