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Por que os acidentes de trânsito são uma questão urgente de saúde pública?

Publicado em 09/07/2024

As ocorrências nas estradas configuram a terceira principal causa de mortes no país e se colocam como uma grave questão para os governos

Por Redação

Por que os acidentes de trânsito são uma questão urgente de saúde pública?
Os acidentes configuram uma crise de saúde pública no Brasil (Foto: Shuttestock)

Todos os dias, ruas e estradas transformam-se em campos de batalha silenciosos, onde a negligência e a imprudência no trânsito tiram vidas e deixam um rastro de sequelas físicas e psicológicas.

E isso porque os acidentes de trânsito representam uma das principais causas de mortalidade e lesões em todo o mundo.

Considerados por muitos como uma inevitabilidade da vida moderna, esses eventos trágicos, na verdade, constituem uma crise de saúde pública que pode ser abordada e mitigada por meio de políticas eficazes e intervenções estratégicas.

Neste artigo, exploraremos o impacto dos acidentes de trânsito na saúde pública e destacaremos exemplos de medidas bem-sucedidas para reduzir essas ocorrências.

UM PANORAMA DOS ACIDENTES DE TRÂNSITO NO BRASIL

No Brasil, os acidentes de trânsito são a terceira principal causa de morte, com 11 óbitos por dia apenas nas rodovias federais em 2023, de acordo com dados do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

Esse cenário preocupante deixa marcas profundas na sociedade, afetando não só as vítimas, mas também suas famílias.

Nesse sentido, os acidentes configuram uma grave crise de saúde pública no Brasil, com perdas incalculáveis.

Segundo o Ranking de Competitividade dos Municípios, lançado pelo CLP, as causas desse cenário desolador são complexas e multifacetadas. O excesso de velocidade, o consumo de álcool ao volante e a distração com o celular se destacam como os principais vilões. Mas a infraestrutura precária, a falha na aplicação das leis de trânsito e a falta de instrução também contribuem para o quadro alarmante.

Além disso, as consequências econômicas são igualmente devastadoras. Os custos com internações, cirurgias de emergência, reabilitação e perda de produtividade oneram o sistema de saúde e impactam a economia como um todo.

Para elucidar este problema, um levantamento do Sistema de Informação Hospitalares (SIH) mostrou que em 2022 e 2023, apenas no Paraná, os acidentes de trânsito geraram um gasto de R$ 36 milhões para o SUS, valor que poderia financiar a construção de três novos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs).

Esse montante reflete apenas uma fração do impacto econômico total, que inclui despesas médicas, danos materiais e impactos na cadeia logística do país. Segundo o ranking supracitado do CLP, o custo anual dos acidentes de trânsito para o sistema de saúde no Brasil é de aproximadamente R$ 21 bilhões, representando cerca de 0,2% do PIB brasileiro.

COMO COMBATER ESSE CENÁRIO?

Diversos países têm adotado abordagens inovadoras e eficazes para reduzir os acidentes de trânsito e, consequentemente, seu impacto na saúde pública. A seguir, apresentamos alguns exemplos notáveis:

VISÃO ZERO NA SUÉCIA

A Suécia é amplamente reconhecida por sua abordagem pioneira chamada "Visão Zero", lançada em 1997, em que se reconhece a possibilidade das falhas humanas, mesmo involuntárias, ao dirigir e exige que os projetistas de ruas as levem em consideração durante o planejamento urbano.

O design das vias, nesse sentido, deve ser tolerante a erros, diminuindo a probabilidade de acidentes fatais.

Como parte da Visão Zero, a Suécia implementou diversas medidas, como a redução dos limites de velocidade, a melhoria da infraestrutura viária, o aumento da fiscalização e campanhas educativas.

Essas ações resultaram em uma redução significativa nas mortes no trânsito, que caíram para menos de 2 por 100.000 habitantes em 2022, segundo o relatório da International Transport Forum.

DISPOSITIVOS DE SEGURANÇA NA EUROPA

A tecnologia se consolidou como um pilar fundamental nas políticas para reduzir acidentes de trânsito na Europa.

Já em 2019, o Parlamento Europeu decretou a obrigatoriedade de dispositivos de segurança avançada em todos os veículos automotores fabricados a partir de maio de 2022.

CAMPANHAS DE SEGURANÇA NA AUSTRÁLIA 

A Austrália tem adotado uma abordagem multifacetada para combater os acidentes de trânsito, combinando infraestrutura aprimorada, legislação rigorosa e campanhas de conscientização pública.

Um exemplo notável é a campanha "Towards Zero", que visa reduzir drasticamente o número de mortes no trânsito.

ESTRADAS DO FUTURO: A NECESSIDADE DE UM OLHAR PARA SEGURANÇA NAS ESTRADAS

Os exemplos citados mostram que é possível reduzir significativamente o número de acidentes e suas consequências através de políticas bem planejadas e executadas com a consciência de que investir em segurança viária não só salva vidas, mas também alivia a pressão sobre os sistemas de saúde e melhora a qualidade de vida das populações.

Mas empresas e organizações da sociedade também podem contribuir com esse contexto desafiador.

Nesse sentido, a Mundo Logística criou a campanha "Estradas do Futuro", uma iniciativa que tem como objetivo unir os diversos elos da cadeia logística nacional em prol de um futuro mais seguro nas estradas brasileiras, conscientizando sobre a segurança no transporte rodoviário, difundindo conhecimento e promovendo a capacitação de motoristas.

ESTRADAS DO FUTURO

Enfrentar o desafio dos acidentes em estradas e rodovias do Brasil não é uma questão simples e, ao mesmo tempo, trata-se de uma demanda que pede urgência. De acordo com dados da CNT (Confederação Nacional de Trânsito), só em 2022, mais de 64 mil acidentes foram registrados no país — desses, 82,1% deixou vítimas, incluindo mortos e feridos. Em termos gerais, o Brasil ocupa a preocupante posição de 3º país com o maior número de mortes no trânsito, conforme relatório da OMS (Organização Mundial de Saúde). 

MundoLogística lançou a campanha “Estradas do Futuro”, uma iniciativa que conta com patrocínio da nstech e da Quartzolit, apoio da Onisys, da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) e da Associação Brasileira de Logística (Abralog). Por meio da campanha, o intuito é unir os diferentes atores da cadeia logística nacional, difundindo conteúdos educacionais que tragam tanto visibilidade para a pauta da segurança no transporte rodoviário, quanto práticas e divulgação de soluções que possam colaborar com a capacitação e proteção de motoristas.

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